quinta-feira, 23 de maio de 2013

TUDO O QUE EU QUERIA SER




 Ser magra - acho lindo quando uma pessoa (geralmente magra) se esquece de comer. -Eu estava tão ocupada - diz a magrela, com o olhar alheio, - que me esqueci de almoçar.
Comigo não tem jeito, minha fome só passa se ficar doente, e muito; ou se morrer alguém, ou se ficar extremamente feliz.  Esses acontecimentos são raros, por isso, engordo.

Ser introvertida - admiro tanto aquelas pessoas concentradas, silenciosas, que passam horas diante do computador, sem dar uma palavra.  Tiram toda a  energia de dentro de si (ou da internet)  e  passam a impressão de serem profissionais competentes e sérios.
Já eu só consigo trabalhar falando, nem que seja comigo mesma, ou com o meu gato e de vez em quando dou uns trinados, que fazem alguns colegas (introvertidos, claro), me lançarem olhares repressivos.

Ser mansa e controlada - ah, como deve ser maravilhoso conseguir se manter de cabeça fria, diplomático e pacificador!  Não consigo: sou apaixonada e defendo ferozmente minhas opiniões.  Faço um esforço muuuiiiiito grande para respeitar a opinião alheia. Às vezes consigo, pelo menos aparentemente.

editorcriação,com,br


Ser corajosa -  uma vez fazia um passeio  de bugre com meu filho,que tinha 9 anos, e duas jovens catarinenses que acabara de conhecer. A certa altura, vimos 2 rapazes que ofereciam um passeio de ultraleve.  A moça não pensou 2 vezes: entrou no ultraleve  e partiu feliz
Quanto a mim, o máximo que consegui foi mudar o passeio da modalidade “sem emoção” para “com emoção”, e me lamentava, a cada vez que o carrinho subia ou descia uma duna: aiiiiii, pra que fui colocar meu filho nessa fria!

Ser superhiperativa – tenho uma amiga que trabalha oito ou mais horas, estuda inglês, frequenta a academia, faz massagem, acorda todo dia meia hora mais cedo para passar cremes e loções, faz remo, vai ao cabeleireiro e à manicure... ai, que  inveja! Fiquei cansada só de escrever. Imagine se fosse fazer as coisas que ela faz! 
Mas tenho esperança de que um dia conseguirei cumprir aquela velha promessa, feita a mim mesma, de fazer atividade física, cuidar mais da beleza, começar o curso de inglês, etc. Quem sabe no ano que vem...

Aliás, o ano que vem é fonte de esperança, de mudança e renovacão. Pena que ainda faltam sete meses pra começar.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O MOMENTO DO SIM


Às vezes assisto, no canal GNT, a um Programa sobre casamento que tem o gracioso título de “Chuva de Arroz”.  Em cada episódio, Chuva de Arroz conta a história de dois casais, a partir do modo como se conheceram, destacando os acontecimentos mais importantes, até a cerimônia do casamento, passando pelos detalhes do grande dia.
mulherebeleza.com.br
Sem querer criticar o programa em si, o que gostaria de comentar aqui é a minha percepção de como se está banalizando a cerimônia do casamento.  Tudo bem que a noiva chegue num barco, e precise enfiar as pernas na água até os joelhos, molhando o buquê e a barra do vestido.  Nada contra um casamento numa casa de fazenda, distante de tudo, obrigando os pobres convidados a se deslocar para um fim de mundo qualquer.  Apenas, creio que é interessante refletir se algumas excentricidades não seriam mais adequadas em um baile de carnaval.  E por falar em carnaval...

 Um dos casais focados no Programa escolheu casar-se sob a lona de um circo, tendo caveirinhas como tema da decoração.  Havia caveirinhas nas alianças de casamento, nas toalhas, no colar da noiva e, ao final, os noivos se exibiram flutuando numa grande argola presa à lona.  Tudo sob o signo da diferença... 
folcloredonordeste.blogspot.com

 Ele e Ela resolveram casar-se à moda caipira.  Esqueçam aquele noivo elegante, vestindo um terno bem cortado, com uma flor na lapela.  Esse vem com um enorme chapéu de palha com aba desfiada, cavanhaque e bigode fake, gravata torta, camisa xadrez e uma enorme margarida amarela no peito, acompanhada de outras menores, espalhadas pelo blazer marrom. A seu lado, a noiva, vestida de forma quase tradicional, parece antecipar um futuro em que apenas a mulher se preocupará em permanecer bonita e cuidadosamente arrumada. Nessa cerimônia, também merece destaque, o “altar”, em forma de barraca de quermesse junina, devidamente multicor.

 
De uma fantasia a outra, o grande destaque é o casal Elvis Presley e Marilyn Monroe,  numa improvável união que, além do mais, foi celebrada por um Papa.  Não se assustem!  Os falecidos astros podem descansar em paz.  Os noivos estavam “apenas” fantasiados e o Papa em questão é um amigo do casal. Além de fantasiados, o casal interpretou sua entrada no salão: enquanto Elvis, o noivo, com os inevitáveis topete e costeletas, dublava uma canção de Elvis, o ídolo; a noiva Marilyn, usando o vestido branco semelhante ao da clássica foto em que Marilyn, a estrela, mostra as pernas, entrava sozinha na igreja, fazendo trejeitos, numa caricatura de sensualidade. Em lugar do buquê de flores, segurava um objeto feito de broches, brincos, pulseiras e presilhas de cabelo.

Babados e roupas:os piores vestidos.blogspot
Mas, afinal, o que aquelas pessoas estavam fazendo ali? Elas se conheceram, construíram um relacionamento, passaram por alguns percalços.  Finalmente, perceberam que chegara o momento de selar sua união, que elas desejam que seja para sempre, e que esse momento seja um marco na vida, assistida pelos familiares e amigos de ambos.  Penso que, neste momento, são bem-vindos a alegria, as cores, os doces e o belo vestido.  É natural que a noiva deseje estar com uma aparência maravilhosa, maquiagem perfeita, sapatos elegantes e pele translúcida.  É previsível também que todos esses detalhes combinem com a personalidade do casal e seja o coroamento da realização do seu sonho.  Mas, não estaremos indo longe demais na busca do que é exótico, diferente, fora do comum? Seria mesmo esse o momento para dar vazão à necessidade de fantasia?

 
Penso que aquilo que é sério está perdendo o sentido e quero lembrar que sério não significa triste.  Segundo o dicionário, sério significa digno, honesto, imaculado, honrado, íntegro. Após a cerimônia, vem a festa, que é o momento de confraternizar, dançar, brincar. A cerimônia é o marco consagrador da união e por isso exige dignidade, integridade, pureza.   A cerimônia deve ser imaculada.  Não importa o tradicionalismo das vestes ou a suntuosidade do salão.  O que importa são as intenções. A frase “pode beijar a noiva” é a liberação para festejar, a transição entre a integridade da cerimônia e o à vontade da festa. 
vergastas.blogspot.com
 
Então, vem o momento dos cumprimentos, de jogar o buquê para as solteiras, de brindar com champanhe e cortar o bolo. À medida que o tempo passa, o cerimonioso vai dando lugar ao festivo e chega o momento de dar vazão à alegria.  De preferência, sem desrespeitar a religião dos outros, escolhendo para celebrante, um amigo fantasiado de si mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 16 de março de 2013

TODOS OS DIAS, SOB TODOS OS PONTOS DE VISTA, VOU CADA VEZ MELHOR!


Jamais esquecerei esta cena: mamãe de pé, junto á mesa do café da manhã, com densas lágrimas a escorrer-lhe do rosto, porque Omar Cardoso havia morrido.  Os mais jovens talvez não se lembrem, mas Omar Cardoso, o astrólogo,  visitava os lares brasileiros todas as manhãs, e começava seu programa dizendo: “Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor”.  Pena que não possa reproduzir aqui a entonação firme e musical dessa fala: na palavra vou, Omar fazia uma “onda sonora” e subia um tom, ênfase que buscava convencer quantos o ouviam da verdade de sua afirmação.

Jamais esqueci a frase que Omar dizia antes do meu signo, sempre com aquela voz tonitroante:  “e agora, o mais poderoso de todos os signos: leão!”.

  Essa recordação me fez refletir sobre o poder das pessoas que nunca vimos pessoalmente, com as quais nunca trocamos sequer uma palavra, mas que entram em nossas vidas a ponto de nos arrancar lágrimas quando de sua morte; preocupação quando estão doentes, tristeza quando algo ruim lhes acontece.
Eduardohumberto.blogspot.com
 Lembro-me com detalhes do momento em que ouvi a notícia da morte de Elis Regina: eu estava sentada diante da TV, numa poltrona azul de listrinhas e era por volta do meio dia. Algumas cenas do enterro ficaram gravadas na minha memória: pessoas empoleiradas na copa das árvores, Lene Dale chorando  desvairadamente.  Também chorei e, pelo resto da vida, hei de lamentar essa perda.  Anos depois, ficaria comovida ao ouvir pela primeira vez a voz de Maria Rita cantando com Mílton Nascimento.
maisculturabrasileira.blogspot.com






Omar Cardoso, ao repetir seu texto, trazia alento diário para os ouvintes.  Naquela época, em que nem se falava de autoajuda no Brasil, ele tinha essa prática, talvez intuitiva, de estimular as pessoas fazendo-as reafirmar-se positivamente.  Elis encantava a todos com sua interpretação dramática e técnica perfeita, gerando empatia em quantos a ouvissem.

Sempre ouvimos narrativas de atores sobre as cenas que protagonizaram fora da telinha, com pessoas que ficam tão convencidas com o que veem nas novelas, que chegam a extremos entre xingar e dar conselhos aos personagens, confundindo-os com os atores.   

Esse evento se explica pelo funcionamento do cérebro humano: ao assistir a um filme ou novela, nosso lado racional sabe que nada daquilo é real, que há inúmeros técnicos em volta dos atores, mas, a área dp cérebro responsável pela imaginação acredita naquilo que vê, para sorte da  indústria do entretenimento. 
orkut.com
 Além disso, não se pode negar que nossas emissoras de TV  são praticamente perfeitas no quesito simulação da realidade.  Na  novela “Mulheres Apaixonadas”, de Manuel Carlos,  a personagem da atriz Vanessa Gerbelli morre durante um assalto.  Depois, realidade e ficção se misturam quando os personagens de Tony Ramos e Bruna Marquezine participam de uma passeata pela paz, acontecida na vida real.

 Assim, sofremos as mais diversas influências: de locutores de rádio e TV, atores, cantores, apresentadores.  O que nos cabe fazer diante dessa realidade?  Creio que precisamos filtrar, passar tudo por uma peneira fina e decidir o que nos serve e o que não.  

Pelo menos daquilo que é consciente.  É importante estar sempre atento, principalmente para o que veem as nossas crianças e adolescentes.  E termos cuidado até com nossos sentimentos e sensações.   A empatia é saudável, assim como o sentimento de solidariedade, desde que colocados sob a perspectiva da realidade e do equilíbrio.