domingo, 4 de agosto de 2013

LÁ VOU EU DE NOVO!



No dia primeiro de julho, comecei um processo de emagrecimento.  Já perdi a conta das vezes em que isso aconteceu na minha não tão curta vida: dieta da banana, da lua, de Beverly Hills, do Só é Gordo Quem Quer e outras tantas, são personagens que me acompanham desde a adolescência.  

A da Banana era simples: banana e leite o dia todo.  Eu tinha apenas 17 anos e ainda tenho nos lábios o sabor do ovo frito que comi após 7 dias ingerindo apenas banana e leite.  Jamais existiu um ovo tão delicioso!

A Dieta da Lua era engraçada, ou melhor, era engraçado o modo como eu e meus irmãos fazíamos: se o cardápio do almoço era bom, fazíamos um PF caprichado e deixávamos no fogão.  No momento em que a lua mudava, corríamos para a deliciosa comidinha da mamãe.  Uma vez, ficamos esperando até meia-noite.  Bons tempos aqueles, em que nosso único motivo era a estética. Evidentemente, a dieta da lua de nada adiantou.

À medida que o tempo vai passando, fica mais difícil manter-se no peso adequado.  Pelo menos comigo foi assim.  Na faculdade, passei para a casa dos 80kg, de onde só saí em 1997, quando fiquei uns tempos num SPA.  Quando fazia curso de teatro, em Recife, entrei na casa dos 90.  Eu tinha um amigo bem magro, Augusto.  Eu trabalhava 8 horas por dia, ia em casa, comia alguma coisa, depois ia pro curso, que terminava lá pelas 22h30. Turma animada, aulas estimulantes, os mais idosos estavam com 30 anos, criamos o hábito de sair pra jantar após a aula.  Augusto e eu ficamos inseparáveis e, muitas vezes, ele ia passar a noite lá em casa.  Eu preparava uma coisinha pra ele e aproveitava pra comer também.  Resultado?  Ao final de uma ano, Augusto continuava lépido e fagueiro, com seus longos cabelos cacheados e silhueta impecável.  Quanto a mim, havia engordado 15 quilos.  Culpa de Augusto, claro.

Gosto de comer, confesso, e também não sou tão disciplinada.  Mas algumas circunstâncias me ajudaram a engordar.  Trabalho em um banco e na época em que trabalhava no caixa, desenvolvi hábitos insalubres, entre os quais o de comer bombons diariamente.  Na mesma época, aconteceu um evento na vida pessoal que também contribuiu para o meu “engordamento”.  Essa conjunção de fatores levou-me, pasmem, aos 102 quilos, isso para um corpo com 1m58 de altura: fiquei uma bolinha, com artrose nos joelhos e dificuldade até para me virar na cama.  Mas só fui me cuidar de verdade, quando cheguei a uma pressão arterial de 20 por 13.
Por sugestão de  uma colega, fiz a foto do primeiro dia no SPA. 


Foi quando soube de um Programa da Empresa em que trabalho, que permite aos funcionários que têm obesidade mórbida a internação num SPA.  Eu sofria dessa doença, porque meu IMC – Índice de massa 
Corporal- , estava acima de 40.

 Devo a esses 4 meses uma grande mudança na minha vida pois, além de emagrecer, foi um período importante para reletir e buscar um redirecionamento profissional.  O proceso no SPA também me rendeu uma educação alimentar preciosa.  Aprendi muito sobre alimentação e deixei pra trás hábitos como: ketchup, maionese e pratos prontos cheios de gordura.  Também incorporei na minha alimentação o hábito de comer frutas e nunca mais voltei a ter obesidade mórbida (IMC acima de 40).
Após 4 meses de internação no Espaço Verde, em Aldeia,PE


Estou agora no vigésimo terceiro dia do processo de emagrecimento no qual tenho muita esperança.  Emagreci 6.700Kg nesses 21 dias.  Estou restabelecendo a autoconfiança porque faço dieta de 500 calorias, cercada de todas as tentações. Peso-me todos as manhãs e tenho conseguido manter uma constância na alimentação. Diariamente, risco no calendário o dia que passou e estou caminhando com determinação. Que Deus me ajude a cumprir mais essa etapa. 




quinta-feira, 23 de maio de 2013

TUDO O QUE EU QUERIA SER




 Ser magra - acho lindo quando uma pessoa (geralmente magra) se esquece de comer. -Eu estava tão ocupada - diz a magrela, com o olhar alheio, - que me esqueci de almoçar.
Comigo não tem jeito, minha fome só passa se ficar doente, e muito; ou se morrer alguém, ou se ficar extremamente feliz.  Esses acontecimentos são raros, por isso, engordo.

Ser introvertida - admiro tanto aquelas pessoas concentradas, silenciosas, que passam horas diante do computador, sem dar uma palavra.  Tiram toda a  energia de dentro de si (ou da internet)  e  passam a impressão de serem profissionais competentes e sérios.
Já eu só consigo trabalhar falando, nem que seja comigo mesma, ou com o meu gato e de vez em quando dou uns trinados, que fazem alguns colegas (introvertidos, claro), me lançarem olhares repressivos.

Ser mansa e controlada - ah, como deve ser maravilhoso conseguir se manter de cabeça fria, diplomático e pacificador!  Não consigo: sou apaixonada e defendo ferozmente minhas opiniões.  Faço um esforço muuuiiiiito grande para respeitar a opinião alheia. Às vezes consigo, pelo menos aparentemente.

editorcriação,com,br


Ser corajosa -  uma vez fazia um passeio  de bugre com meu filho,que tinha 9 anos, e duas jovens catarinenses que acabara de conhecer. A certa altura, vimos 2 rapazes que ofereciam um passeio de ultraleve.  A moça não pensou 2 vezes: entrou no ultraleve  e partiu feliz
Quanto a mim, o máximo que consegui foi mudar o passeio da modalidade “sem emoção” para “com emoção”, e me lamentava, a cada vez que o carrinho subia ou descia uma duna: aiiiiii, pra que fui colocar meu filho nessa fria!

Ser superhiperativa – tenho uma amiga que trabalha oito ou mais horas, estuda inglês, frequenta a academia, faz massagem, acorda todo dia meia hora mais cedo para passar cremes e loções, faz remo, vai ao cabeleireiro e à manicure... ai, que  inveja! Fiquei cansada só de escrever. Imagine se fosse fazer as coisas que ela faz! 
Mas tenho esperança de que um dia conseguirei cumprir aquela velha promessa, feita a mim mesma, de fazer atividade física, cuidar mais da beleza, começar o curso de inglês, etc. Quem sabe no ano que vem...

Aliás, o ano que vem é fonte de esperança, de mudança e renovacão. Pena que ainda faltam sete meses pra começar.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O MOMENTO DO SIM


Às vezes assisto, no canal GNT, a um Programa sobre casamento que tem o gracioso título de “Chuva de Arroz”.  Em cada episódio, Chuva de Arroz conta a história de dois casais, a partir do modo como se conheceram, destacando os acontecimentos mais importantes, até a cerimônia do casamento, passando pelos detalhes do grande dia.
mulherebeleza.com.br
Sem querer criticar o programa em si, o que gostaria de comentar aqui é a minha percepção de como se está banalizando a cerimônia do casamento.  Tudo bem que a noiva chegue num barco, e precise enfiar as pernas na água até os joelhos, molhando o buquê e a barra do vestido.  Nada contra um casamento numa casa de fazenda, distante de tudo, obrigando os pobres convidados a se deslocar para um fim de mundo qualquer.  Apenas, creio que é interessante refletir se algumas excentricidades não seriam mais adequadas em um baile de carnaval.  E por falar em carnaval...

 Um dos casais focados no Programa escolheu casar-se sob a lona de um circo, tendo caveirinhas como tema da decoração.  Havia caveirinhas nas alianças de casamento, nas toalhas, no colar da noiva e, ao final, os noivos se exibiram flutuando numa grande argola presa à lona.  Tudo sob o signo da diferença... 
folcloredonordeste.blogspot.com

 Ele e Ela resolveram casar-se à moda caipira.  Esqueçam aquele noivo elegante, vestindo um terno bem cortado, com uma flor na lapela.  Esse vem com um enorme chapéu de palha com aba desfiada, cavanhaque e bigode fake, gravata torta, camisa xadrez e uma enorme margarida amarela no peito, acompanhada de outras menores, espalhadas pelo blazer marrom. A seu lado, a noiva, vestida de forma quase tradicional, parece antecipar um futuro em que apenas a mulher se preocupará em permanecer bonita e cuidadosamente arrumada. Nessa cerimônia, também merece destaque, o “altar”, em forma de barraca de quermesse junina, devidamente multicor.

 
De uma fantasia a outra, o grande destaque é o casal Elvis Presley e Marilyn Monroe,  numa improvável união que, além do mais, foi celebrada por um Papa.  Não se assustem!  Os falecidos astros podem descansar em paz.  Os noivos estavam “apenas” fantasiados e o Papa em questão é um amigo do casal. Além de fantasiados, o casal interpretou sua entrada no salão: enquanto Elvis, o noivo, com os inevitáveis topete e costeletas, dublava uma canção de Elvis, o ídolo; a noiva Marilyn, usando o vestido branco semelhante ao da clássica foto em que Marilyn, a estrela, mostra as pernas, entrava sozinha na igreja, fazendo trejeitos, numa caricatura de sensualidade. Em lugar do buquê de flores, segurava um objeto feito de broches, brincos, pulseiras e presilhas de cabelo.

Babados e roupas:os piores vestidos.blogspot
Mas, afinal, o que aquelas pessoas estavam fazendo ali? Elas se conheceram, construíram um relacionamento, passaram por alguns percalços.  Finalmente, perceberam que chegara o momento de selar sua união, que elas desejam que seja para sempre, e que esse momento seja um marco na vida, assistida pelos familiares e amigos de ambos.  Penso que, neste momento, são bem-vindos a alegria, as cores, os doces e o belo vestido.  É natural que a noiva deseje estar com uma aparência maravilhosa, maquiagem perfeita, sapatos elegantes e pele translúcida.  É previsível também que todos esses detalhes combinem com a personalidade do casal e seja o coroamento da realização do seu sonho.  Mas, não estaremos indo longe demais na busca do que é exótico, diferente, fora do comum? Seria mesmo esse o momento para dar vazão à necessidade de fantasia?

 
Penso que aquilo que é sério está perdendo o sentido e quero lembrar que sério não significa triste.  Segundo o dicionário, sério significa digno, honesto, imaculado, honrado, íntegro. Após a cerimônia, vem a festa, que é o momento de confraternizar, dançar, brincar. A cerimônia é o marco consagrador da união e por isso exige dignidade, integridade, pureza.   A cerimônia deve ser imaculada.  Não importa o tradicionalismo das vestes ou a suntuosidade do salão.  O que importa são as intenções. A frase “pode beijar a noiva” é a liberação para festejar, a transição entre a integridade da cerimônia e o à vontade da festa. 
vergastas.blogspot.com
 
Então, vem o momento dos cumprimentos, de jogar o buquê para as solteiras, de brindar com champanhe e cortar o bolo. À medida que o tempo passa, o cerimonioso vai dando lugar ao festivo e chega o momento de dar vazão à alegria.  De preferência, sem desrespeitar a religião dos outros, escolhendo para celebrante, um amigo fantasiado de si mesmo.